Marx nas margens – Nacionalismo, etnias e sociedades não ocidentais

Kevin B. Anderson

This article introduces the new Portuguese translation by Allan M. Hillani and Pedro Davoglio of Kevin B. Anderson’s book Marx at the Margins. First appeared here.

Em Marx nas margens: nacionalismo, etnias e sociedades não ocidentais, o sociólogo norte-americano Kevin B. Anderson promove uma reflexão instigante e precisa a respeito de questões que incomodam o campo marxista desde meados do século XX: o que pensava o autor de O capital sobre as relações entre classe, gênero e raça ou sobre a dominação colonial, por exemplo?

São aspectos aos quais um dos principais pesquisadores marxistas dos Estados Unidos dedica uma diligente investigação. Seu objeto não é o marxismo, mas Karl Marx. A partir da análise de artigos de jornal, cadernos etnológicos e de citações – com muitos textos ainda não publicados e pouco acessíveis –, livros canônicos e cartas, Marx nas margens demonstra que, no decorrer de sua trajetória intelectual, questões como o impacto europeu na Índia, na Indonésia e na China, as relações entre emancipação nacional e revolução (na Rússia e na Polônia), entre raça, classe e escravidão (nos Estados Unidos) e entre nacionalismo, classe e movimento dos trabalhadores (na Irlanda) tornaram-se alvo do interesse e de estudos aprofundados do pensador alemão.

O resultado, é a imagem de um Marx multilinear que, preocupado em entender a realidade concreta das sociedades não capitalistas, foi capaz de mudar sua perspectiva, superar o eurocentrismo e tornar-se sensível às questões nacional, étnica, racial e de gênero, assumindo um posicionamento claro contra o colonialismo, contra a escravidão e comprometido com a igualdade entre homens e mulheres.

No texto de apresentação, Guilherme Leite Gonçalves, professor de sociologia do direito da UERJ, é certeiro: “Anderson opera em uma situação de risco. Propõe questões que a vulgata marxista não quer ouvir e respostas que os movimentos ditos ‘identitários’ não gostam de ver. Em vez de abraçar projetos aceitos pelo mercado de cada uma dessas ideias, ele se dedica a uma investigação que examina quando a crítica da política da diferença faz sentido e quando a própria compreensão marxista nega seu momento ocidentalista”.

LEAVE A REPLY

Your email address will not be published. Required fields are marked *

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.

0 Comments

FROM THE SAME AUTHOR